Retour à la galerie
Événement58 photos79 vuesmars 2026

Moinhos de Penacova 2025

No coração do distrito de Coimbra, a região da Penacova é conhecida pelas suas paisagens ondulantes, seus rios sinuosos, a sua água mineral, os seus pratos tradicionais como por exemplo o arroz de lampreia, e o seu rico património cultural. Entre os seus tesouros, os moinhos de Gavinhos e de Portela de Oliveira ocupam um lugar especial. Erguidos no alto das serras, contam uma história secular: de homens e mulheres que sabiam domar o vento e a água para garantir o seu sustento. Proponho-me traçar um pouco da história destes moinhos de vento através das minhas fotos, testemunhando a beleza e a importância cultural destes moinhos. Contexto histórico Os moinhos surgiram na região desde a Idade Média, época em que o processamento dos cereais era essencial para a sobrevivência das comunidades rurais. A origem da palavra “moinho” vem do latim “Molinum”, que significa moer, triturar cereais. O homem pré-histórico inventou o primeiro sistema de moagem, que depois foi aperfeiçoado pelos gregos e os romanos. Os romanos introduziram na Península Ibérica novas invenções de moagem dos cereais, como o aparecimento das mós manuais simples, que mais tarde deram origem a aparelhos de tração humana e animal mais evoluídos, assim como as azenhas e os moinhos a vento. O conselho de Penacova é um território predestinado aos moinhos de vente e azenhas. A localização geográfica, a altitude e as condições favoráveis da região agrícola, oferecem ao concelho singularidades para que detenha um dos maiores conjuntos molinológicos do país. Foram encontrados moinhos de vento nas serras de: Atalhada, Aveleira, Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão, Portela de Oliveira e na localidade da Arroteia; e azenhas no rio Alva, nas Ribeiras de Arcos, Carvalhais, Gondelim, Aveledo, Carvalho, Ameal, Lorvão e Presa. Os moinhos de vento, instalados nos cumes das colinas, aproveitavam a força dos ventos dominantes para fazer girar as suas velas e moer os grãos. Os moinhos de água (azenhas), estes, aproveitavam a corrente dos rios Mondego e Alva para movimentar as suas mós. Com a chegada dos moinhos industriais no século XIX, estes moinhos tradicionais foram perdendo gradualmente a sua importância económica. No entanto, se agente se atardar um pouco, dentro ou de volta destes moinhos… se agente fechar os olhos por um instante, quase poderemos ouvir o ruído das suas velas, girando com a força do vento, tal como o som das mós a moer suavemente o trigo destinado à população vizinha… estou firmemente convencido de que continuam a ser testemunhas valiosas de um modo de vida que desapareceu. Os moinhos de Penacova As aldeias de Gavinhos e Portela de Oliveira não possuem menos de 28 moinhos de vento, construídos em pedra, com telhados cónicos e velas de madeira. Hoje, apenas três foram restaurados e um mantém-se em funcionamento, gerido pelo último moleiro da aldeia. A localização no alto dos cumes das colinas oferece uma vista espetacular para a Serra do Buçaco e a Serra da Aveleira, transformando o local numa verdadeira varanda natural. Estes moinhos não são apenas instrumentos de trabalho: tornaram-se símbolos de identidade, evocando a tenacidade dos habitantes de Penacova perante ás intempéries. Tenacidade e muita coragem era a grande qualidade dos moleiros que exploravam estes moinhos, pois nesse tempo tudo era feito à mão e á força dos braços… sem a preocupação do tempo que fazia, do frio intenso nas colinas durante o inverno… de mesmo que o trabalho deles não era só nos moinhos, mas também eram fornecedores da farinha porque não havia camiões que vinham buscar os stocks da farinha moída na hora, por uma boa razão, não havia camiões e, sobretudo, não havia estradas. Nesses tempos, só havia trilhos estreitos a serpentear entre os arbustos, desde o moinho até às aldeias… e assim era o moleiro com o seu burro ou seu cavalo que entregava a farinha nas aldeias… felizmente para eles, eles tinham os dias mais cumpridos do que os nossos hoje, os dias de trabalhos dos moleiros nesse tempo era pelo menos de 18 horas por dia… Ainda me lembro, quando era criança, de ver o moleiro a cavalo, chegar a casa da minha avó ao final do dia, entregando o saco de farinha (farinha que a minha avó ainda tinha de peneirar antes de fazer pão). Gostaria de aproveitar esta oportunidade para homenagear a memória de todos os moleiros Penacovenses que alimentaram Penacova durante séculos. Que nunca sejam esquecidos, um grande OBRIGADO a estes moleiros corajosos e paz eterna a eles. Além dos moinhos de vento, a região também possui 18 moinhos de água (chamados azenhas), espalhados ao longo dos rios Mondego e Alva. Essas azenhas eram particularmente úteis durante períodos de pouco vento. Suas funções eram vitais para garantir uma produção constante de farinha e a segurança alimentar das aldeias. Hoje, alguns desses moinhos permanecem em ruínas, enquanto outros foram restaurados para receber os turistas interessados ​​em descobrir esse patrimônio. Patrimonio e Turismo Os moinhos de vento de Penacova são hoje valorizados como elementos do património cultural. As iniciativas locais permitiram o restauro de vários moinhos, sendo organizadas visitas guiadas para sensibilizar os residentes e os turistas á sua história. Os locais atraem hoje muitos visitantes, cativados pela beleza das paisagens e pela atmosfera intemporal que emanam. Preservar estes moinhos, significa preservar uma memória coletiva e uma identidade rural que, de outra forma, correriam o risco de desaparecer. O museu do moinho Vitorino Nemésio está localizado no lugar de Portela de Oliveira, no coração da zona florestal da Serra do Buçaco. Minha conclusão Os moinhos de Penacova, ao meu ver, são muito mais do que simples estruturas de pedra e madeira. Representam a relação íntima entre o ser humano e a natureza, entre o trabalho e a sobrevivência. Hoje, erguem-se como testemunhas silenciosas de uma época passada, mas também como participantes ativos num presente centrado no turismo e no desenvolvimento cultural. Visitar Gavinhos e Portela de Oliveira é mergulhar numa história viva, onde cada moinho conta uma história da vida rural portuguesa. Fernando RICARDO Suplemento de imagens Algumas fotos do Museu Vitorino Nemesio, bem como algumas fotos em close-up. Δdocument.getElementById("ak_js_1").setAttribute("value",(new Date()).getTime()) IntroduçãoNo coração do distrito de Coimbra, a região da Penacova é conhecida pelas suas paisagens ondulantes, seus rios sinuosos, a sua água mineral, os seus pratos tradicionais como por exemplo o arroz de lampreia, e o seu rico património cultural.Entre os seus tesouros, os moinhos de Gavinhos e de Portela de Oliveira ocupam um lugar especial. Erguidos no alto das serras, contam uma história secular: de homens e mulheres que sabiam domar o vento e a água para garantir o seu sustento.Proponho-me traçar um pouco da história destes moinhos de vento através das minhas fotos, testemunhando a beleza e a importância cultural destes moinhos. Contexto históricoOs moinhos surgiram na região desde a Idade Média, época em que o processamento dos cereais era essencial para a sobrevivência das comunidades rurais.A origem da palavra “moinho” vem do latim “Molinum”, que significa moer, triturar cereais. O homem pré-histórico inventou o primeiro sistema de moagem, que depois foi aperfeiçoado pelos gregos e os romanos.Os romanos introduziram na Península Ibérica novas invenções de moagem dos cereais, como o aparecimento das mós manuais simples, que mais tarde deram origem a aparelhos de tração humana e animal mais evoluídos, assim como as azenhas e os moinhos a vento.O conselho de Penacova é um território predestinado aos moinhos de vente e azenhas. A localização geográfica, a altitude e as condições favoráveis da região agrícola, oferecem ao concelho singularidades para que detenha um dos maiores conjuntos molinológicos do país.Foram encontrados moinhos de vento nas serras de: Atalhada, Aveleira, Roxo, Gavinhos, Paradela de Lorvão, Portela de Oliveira e na localidade da Arroteia; e azenhas no rio Alva, nas Ribeiras de Arcos, Carvalhais, Gondelim, Aveledo, Carvalho, Ameal, Lorvão e Presa.Os moinhos de vento, instalados nos cumes das colinas, aproveitavam a força dos ventos dominantes para fazer girar as suas velas e moer os grãos. Os moinhos de água (azenhas), estes, aproveitavam a corrente dos rios Mondego e Alva para movimentar as suas mós. Com a chegada dos moinhos industriais no século XIX, estes moinhos tradicionais foram perdendo gradualmente a sua importância económica. No entanto, se agente se atardar um pouco, dentro ou de volta destes moinhos… se agente fechar os olhos por um instante, quase poderemos ouvir o ruído das suas velas, girando com a força do vento, tal como o som das mós a moer suavemente o trigo destinado à população vizinha… estou firmemente convencido de que continuam a ser testemunhas valiosas de um modo de vida que desapareceu. Os moinhos de PenacovaAs aldeias de Gavinhos e Portela de Oliveira não possuem menos de 28 moinhos de vento, construídos em pedra, com telhados cónicos e velas de madeira. Hoje, apenas três foram restaurados e um mantém-se em funcionamento, gerido pelo último moleiro da aldeia. A localização no alto dos cumes das colinas oferece uma vista espetacular para a Serra do Buçaco e a Serra da Aveleira, transformando o local numa verdadeira varanda natural.Estes moinhos não são apenas instrumentos de trabalho: tornaram-se símbolos de identidade, evocando a tenacidade dos habitantes de Penacova perante ás intempéries. Tenacidade e muita coragem era a grande qualidade dos moleiros que exploravam estes moinhos, pois nesse tempo tudo era feito à mão e á força dos braços… sem a preocupação do tempo que fazia, do frio intenso nas colinas durante o inverno… de mesmo que o trabalho deles não era só nos moinhos, mas também eram fornecedores da farinha porque não havia camiões que vinham buscar os stocks da farinha moída na hora, por uma boa razão, não havia camiões e, sobretudo, não havia estradas. Nesses tempos, só havia trilhos estreitos a serpentear entre os arbustos, desde o moinho até às aldeias… e assim era o moleiro com o seu burro ou seu cavalo que entregava a farinha nas aldeias… felizmente para eles, eles tinham os dias mais cumpridos do que os nossos hoje, os dias de trabalhos dos moleiros nesse tempo era pelo menos de 18 horas por dia…Ainda me lembro, quando era criança, de ver o moleiro a cavalo, chegar a casa da minha avó ao final do dia, entregando o saco de farinha (farinha que a minha avó ainda tinha de peneirar antes de fazer pão).Gostaria de aproveitar esta oportunidade para homenagear a memória de todos os moleiros Penacovenses que alimentaram Penacova durante séculos. Que nunca sejam esquecidos, um grande OBRIGADO a estes moleiros corajosos e paz eterna a eles.Além dos moinhos de vento, a região também possui 18 moinhos de água (chamados azenhas), espalhados ao longo dos rios Mondego e Alva. Essas azenhas eram particularmente úteis durante períodos de pouco vento. Suas funções eram vitais para garantir uma produção constante de farinha e a segurança alimentar das aldeias. Hoje, alguns desses moinhos permanecem em ruínas, enquanto outros foram restaurados para receber os turistas interessados ​​em descobrir esse patrimônio. Patrimonio e TurismoOs moinhos de vento de Penacova são hoje valorizados como elementos do património cultural. As iniciativas locais permitiram o restauro de vários moinhos, sendo organizadas visitas guiadas para sensibilizar os residentes e os turistas á sua história. Os locais atraem hoje muitos visitantes, cativados pela beleza das paisagens e pela atmosfera intemporal que emanam. Preservar estes moinhos, significa preservar uma memória coletiva e uma identidade rural que, de outra forma, correriam o risco de desaparecer.O museu do moinho Vitorino Nemésio está localizado no lugar de Portela de Oliveira, no coração da zona florestal da Serra do Buçaco. Minha conclusãoOs moinhos de Penacova, ao meu ver, são muito mais do que simples estruturas de pedra e madeira. Representam a relação íntima entre o ser humano e a natureza, entre o trabalho e a sobrevivência. Hoje, erguem-se como testemunhas silenciosas de uma época passada, mas também como participantes ativos num presente centrado no turismo e no desenvolvimento cultural. Visitar Gavinhos e Portela de Oliveira é mergulhar numa história viva, onde cada moinho conta uma história da vida rural portuguesa.Fernando RICARDO Suplemento de imagensAlgumas fotos do Museu Vitorino Nemesio, bem como algumas fotos em close-up. Partagez sur vos réseaux sociaux